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05/02/2014

Liberdade de credos e preservação cultural na visão de Fernando Pessoa

Em todos os lugares e épocas existem aqueles que se fecham em um só pensamento/ideologia/crença e acabam tornando preferências pessoais em regras para os outros. Em todos os lugares e épocas, da mesma forma que existem essas pessoas, existem outras, como Fernando Pessoa que prefere despir-se de seus saberes e preconceitos para entender a forma de enxergar o mundo na perspectiva de outras pessoas, de outras culturas.

Uma das críticas diz respeito às imposições culturais/religiosas que o expansionismo europeu, como herança do imperialismo, sobre outras nações. Trata-se de um desrespeito às diferenças. Um dos princípios da Revolução Francesa é igualdade, ou seja, tornar todos iguais em todos os aspectos, quando, na verdade, o importante saber conviver com as diferenças.
Fernando Pessoa compartilhou, em suas leituras, um processo de reformulação e criação de interpretação de mundo. Uma desconstrução de saberes, para construí-los novamente livre de preconceitos ou sem base em ideologias pessoais. E isso é necessário, pois para compreender o que se passa à sua volta, deve-se estar aberto a isso.
A ditadura tecnológica resultado da expansão mercadológica é tão ofensiva quanto às outras e foi prevista por Pessoa. Não se respeita apenas as diferenças de cultura e crença, mas também de valores e costumes, no sentido de propagar o novo modelo de informatização. Para que assim, existam sociedades basicamente iguais que possuem as mesmas necessidades tecnológicas, com finalidades basicamente financeiras, mas que, comprometem o sentimento genuíno das nacionalidades.
Não existe, portanto, respeito as particularidade dos povos e às suas individualidades. Parece-se imprescindível que haja uma igualdade, não de direitos, mas cultural/social/ideológico/religiosa, ou seja, em todos os aspectos humanos. Não há, assim, uma valorização da preservação do caráter próprio das nacionalidades.
No entanto, Pessoa acredita que existem influências estrangeiras que não são ofensivas, mas que são úteis e aproveitáveis e que podem contribuir com outras nações. Não podendo, entretanto, perverter as características próprias. Pessoa defende, sobretudo, a multiculturalidade, a liberdade e o respeito ao que é diferente. A preservação de culturas e o fim do expansionismo ideológico, cultural, religioso e mercadológico.

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