Em todos os lugares e épocas existem aqueles
que se fecham em um só pensamento/ideologia/crença e acabam tornando
preferências pessoais em regras para os outros. Em todos os lugares e épocas, da
mesma forma que existem essas pessoas, existem outras, como Fernando Pessoa que
prefere despir-se de seus saberes e preconceitos para entender a forma de
enxergar o mundo na perspectiva de outras pessoas, de outras culturas.
Uma das críticas diz respeito às imposições
culturais/religiosas que o expansionismo europeu, como herança do imperialismo,
sobre outras nações. Trata-se de um desrespeito às diferenças. Um dos
princípios da Revolução Francesa é igualdade, ou seja, tornar todos iguais em
todos os aspectos, quando, na verdade, o importante saber conviver com as
diferenças.
Fernando Pessoa compartilhou, em suas
leituras, um processo de reformulação e criação de interpretação de mundo. Uma
desconstrução de saberes, para construí-los novamente livre de preconceitos ou
sem base em ideologias pessoais. E isso é necessário, pois para compreender o
que se passa à sua volta, deve-se estar aberto a isso.
A
ditadura tecnológica resultado da expansão mercadológica é tão ofensiva quanto
às outras e foi prevista por Pessoa. Não se respeita apenas as diferenças de
cultura e crença, mas também de valores e costumes, no sentido de propagar o
novo modelo de informatização. Para que assim, existam sociedades basicamente
iguais que possuem as mesmas necessidades tecnológicas, com finalidades
basicamente financeiras, mas que, comprometem o sentimento genuíno das
nacionalidades.
Não
existe, portanto, respeito as particularidade dos povos e às suas
individualidades. Parece-se imprescindível que haja uma igualdade, não de
direitos, mas cultural/social/ideológico/religiosa, ou seja, em todos os
aspectos humanos. Não há, assim, uma valorização da preservação do caráter
próprio das nacionalidades.
No entanto, Pessoa
acredita que existem influências estrangeiras que não são ofensivas, mas que
são úteis e aproveitáveis e que podem contribuir com outras nações. Não
podendo, entretanto, perverter as características próprias. Pessoa defende,
sobretudo, a multiculturalidade, a liberdade e o respeito ao que é diferente. A
preservação de culturas e o fim do expansionismo ideológico, cultural,
religioso e mercadológico.

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