Pedro Paulo Valente - Revista Ultimato nº 318
Inquietação, preocupação e ansiedade estes são sinônimos para
descrever o mal que atormenta nossa geração pós-moderna. Nossos dias estão mais
curtos, a quantidade de informações as quais estamos expostos é assombrosamente
grande, a competição extrapola o ambiente profissional e se manifesta em todos
os nossos relacionamentos. Por fim, numa era em que o relativismo sucumbe com o
absolutismo, a incerteza toma conta da nossa mente.
Não
é de se estranhar que a exposição contínua a essas situações de estresse nos
causem desconforto. Lembro-me da advertência de Jesus no Sermão do Monte:
Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça,
e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o
amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o
seu próprio mal. (Mt 6.33-34)
Ao
contrário do que muitos pensam, as palavras de Jesus não têm a função de
amenizar nosso desconforto por viver no século 21; elas nos desafiam a não nos
conformarmos com a mentalidade deste século.
Enquanto
o ritmo dos nossos dias tende a levar a pessoa a um estado de ansiedade que
resulta num olhar essencialmente egoísta e individualista da realidade que a
cerca, Jesus propõe viver o dia de hoje sem antecipar as preocupações que estão
por vir. Ele nos adverte a priorizar o reino de Deus e a manifestação de sua
justiça, no exercício da fé na providência divina.
Jesus
não está relegando o dia de amanhã à sorte, ou a um estilo de vida
irresponsável; em vez disso, está trazendo à memória que o andar preocupado não
acrescenta esperança a nossa existência. Deus é pessoal e tem pleno
conhecimento das nossas necessidades. Até a natureza testemunha do seu cuidado.
Basta olhar para as aves do céu e para os lírios do campo.
Ao
mesmo tempo, somos lembrados de que temos uma identidade. Não vivemos
exclusivamente para nossas satisfações, mas para a promoção do reino de Deus.
Por exemplo, andamos tão preocupados conosco que negligenciamos a atenção
devida ao nosso próximo. Essa é uma situação corriqueira, capaz de nos tornar
insensíveis às necessidades de nossos irmãos. Ao contrário do que se pensa, o
olhar para si mesmo não traz contentamento, e sim uma busca egoísta e insaciável
por prazer. Para combater este mal é primordial investir tempo em
relacionamentos, pois só assim estaremos aptos a olhar para as necessidades
daqueles que nos cercam.
Não é exagero lembrar que o próximo ao qual o texto se refere não se limita aos irmãos da igreja que frequentamos, mas é abrangente a toda a humanidade. Daí a urgência em promover o reino de Deus e sua justiça entre todos aqueles que estão distantes do evangelho.
Não é exagero lembrar que o próximo ao qual o texto se refere não se limita aos irmãos da igreja que frequentamos, mas é abrangente a toda a humanidade. Daí a urgência em promover o reino de Deus e sua justiça entre todos aqueles que estão distantes do evangelho.
Aquietai-vos,
fiquem tranquilos e parem de lutar. Estes são sinônimos para descrever a reação
que Deus espera de seus filhos frente às turbulências de nossos dias.
Lembrem-se de que o Senhor está conosco, ele é o nosso refúgio (Sl 46.11). Cabe
a nós não desanimar diante dos desafios da nossa geração e manter a proclamação
do evangelho de Jesus, seja com palavras, seja com o testemunho da nossa vida.

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