Image Map

20/05/2011

Um rasgo de lucidez

O homem vestia farrapos e andava na rua, tonto, cambaleava. Qualquer um que o visse poderia dizer “é um beberrão, um vagabundo, sem vergonha”. De fato, ele podia ser todas essas coisas, mas não somente isso. Ele possuía uma alma. Possuía sentimentos, desejos. Poderiam não ser desejos singulares, tão pouco nobres, afinal, qualquer um há de possuí-los. Ele desejava comer, desejava beber, e até amar.

O fato de seus erros o terem levado à situação em que estava, não significava, necessariamente, que ele o queria.

Mas os olhos cruéis continuavam a julgá-lo, enquanto no seu íntimo, ele alimentava a esperança de um dia encontrar piedade em algum daqueles tantos olhos que o cercava.

Nenhum comentário:

Postar um comentário